EVASÃO ESCOLAR: RELATÓRIO DE COMISSÃO DO CCT EXPLICA DESAFIOS DA OCUPAÇÃO DE VAGAS

O relatório elaborado pela Comissão de Evasão do Centro de Ciências e Tecnologia (CCT) aponta que os desafios relacionados à evasão e à ocupação de vagas não se restringem ao contexto local, mas refletem transformações mais amplas no ensino superior brasileiro. A análise destaca mudanças no perfil de acesso às universidades e no comportamento dos estudantes ao longo dos últimos anos.

Entre os principais fatores identificados está a substituição dos processos seletivos tradicionais pelo ingresso via Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e pelo Sistema de Seleção Unificada (SiSU). Essa mudança alterou a dinâmica de entrada nas instituições federais, ampliando o acesso, mas também intensificando a concorrência entre cursos e universidades em todo o território nacional.

Além disso, outro ponto relevante observado é a redução, em nível nacional, do número de inscritos no ENEM em comparação com períodos anteriores. Como o exame se consolidou como principal porta de entrada para o ensino superior público, a diminuição no número de participantes impacta diretamente o volume de candidatos aptos a ocupar as vagas ofertadas pelas universidades, incluindo a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

O estudo também destaca os efeitos de fatores recentes, como a pandemia de COVID-19, que provocou mudanças expressivas nas rotinas acadêmicas e ampliou desafios relacionados à permanência do corpo estudantil. Além disso, transformações sociais e culturais, associadas ao avanço das tecnologias digitais e às novas perspectivas profissionais entre os jovens, têm influenciado a forma como a formação universitária é percebida.

De acordo com a comissão, esse conjunto de elementos contribui para um cenário em que a ampliação da oferta de vagas no ensino superior ocorre paralelamente à redução da demanda em alguns cursos, gerando desequilíbrios na ocupação das vagas. Diante disso, o relatório reforça a importância de compreender a evasão como um fenômeno multifatorial, que exige análise contínua e estratégias institucionais alinhadas às mudanças do contexto educacional brasileiro.