CONEXÃO CCT: MATEMÁTICA DA UFCG MARCA QUASE CINCO DÉCADAS DE EXCELÊNCIA E IMPACTO CIENTÍFICO

A história do curso de Matemática da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) se confunde com a própria consolidação do Centro de Ciências e Tecnologia (CCT). Criado oficialmente em 19 de novembro de 1979, o então Departamento de Matemática — à época vinculado à antiga Universidade Federal da Paraíba, Campus II — nasceu para dar sustentação aos cursos de engenharia, que impulsionavam o desenvolvimento acadêmico da instituição.

Inicialmente integrado a um Departamento de Ciências Básicas, que reunia Matemática e Física, o setor foi posteriormente desmembrado, dando origem ao Departamento de Matemática e Estatística (DME). Décadas depois, com a criação de um departamento próprio de Estatística, a Matemática passou a constituir a atual Unidade Acadêmica de Matemática (UAMat), consolidando sua identidade institucional.

Quando fundado, o departamento contava com estrutura modesta e número reduzido de doutores. A partir daí, iniciou-se um projeto coletivo de qualificação do corpo docente: professores passaram a buscar formação em mestrado e doutorado, principalmente no eixo Rio–São Paulo, onde se concentravam os programas mais consolidados da área.

Hoje, o cenário é outro: a unidade conta com 34 professores (todos doutores) — um indicador do amadurecimento institucional e do compromisso com a excelência na instituição. Além disso, o curso ampliou significativamente sua atuação acadêmica, mantendo a seguinte oferta:

  • Licenciatura em Matemática (diurna)
  • Licenciatura em Matemática (noturna)
  • Bacharelado em Matemática
  • Mestrado Acadêmico em Matemática
  • Doutorado Acadêmico em Matemática
  • Mestrado Profissional em Matemática (PROFMAT)

Esse crescimento reflete a consolidação científica do curso na instituição ao longo das últimas décadas. A produção acadêmica do departamento é reconhecida tanto nacionalmente quanto internacionalmente, com docentes bolsistas do CNPq e pesquisadores de forte impacto científico.

Ensino, pesquisa e extensão: impacto que ultrapassa os muros da universidade

O curso de Matemática da UFCG sempre concentrou sua atuação sob o tripé ensino–pesquisa–extensão. No ensino, o departamento assume papel estratégico dentro do CCT, sendo responsável por quase três mil matrículas por semestre, atendendo cursos nas engenharias, Computação e outras áreas da universidade.

A preocupação com metodologias atualizadas é constante. Com o avanço tecnológico e o acesso facilitado à informação, o curso investe em inovação didática, inclusive por meio de laboratório de pesquisa em ensino de Matemática, onde são desenvolvidos materiais concretos que auxiliam na compreensão de conteúdos tradicionalmente vistos como abstratos.

Na extensão, destaca-se a tradicional Olimpíada Campinense de Matemática, que caminha para sua 38ª edição e mobiliza centenas de estudantes de Campina Grande e cidades circunvizinhas. Trata-se de uma das ações extensionistas de maior alcance da UFCG que fortalece a cultura científica na região.

No âmbito da pós-graduação, o curso também se destaca pela consolidação de seus programas de mestrado e doutorado, que vêm formando mestres e doutores com sólida qualificação científica e atuação relevante em instituições de ensino e pesquisa. Esses programas mantêm intercâmbio ativo com professores e pesquisadores de outras instituições nacionais e internacionais, promovendo cooperações acadêmicas, estágios, projetos conjuntos e participação em redes de pesquisa.

Outro marco importante é o Mestrado Profissional em Matemática (PROFMAT) que já formou mais de 100 mestres. Os programas impactam diretamente a educação básica e superior regional, qualificando professores e elevando o nível do ensino de Matemática nas escolas e universidades.

Docência, inspiração e transformação: 40 anos dedicados à Matemática

O professor Daniel Cordeiro, docente da instituição, figura como o professor mais antigo em atuação na unidade e completa neste ano 40 anos de magistério na UFCG. Sua trajetória acompanha boa parte da história e evolução do departamento.

Inicialmente pesquisador em Matemática Pura, participou ativamente da consolidação da pós-graduação, da formação de novos doutores e da implantação do mestrado acadêmico e do ProfMat. Ao longo do tempo, passou a dedicar-se integralmente ao ensino de Matemática, especialmente à formação de professores.

Tutor do PET Matemática, ele destaca a satisfação em ver ex-alunos tornarem-se pesquisadores, professores universitários e profissionais de destaque. Para ele, o maior projeto de sua carreira não foi pontual, mas coletivo: a própria evolução do departamento. “Isso é uma alegria que a gente tem! De ver o que a gente investiu, o que a gente plantou; isso é realmente muito bom. […] Isso é a grande satisfação que um professor tem na vida, de ver seus alunos terem sucesso, seus alunos evoluírem, e ver também que isso tem um efeito na vida desses alunos, na vida das pessoas, e na sociedade como um todo”, afirmou o professor.

Como conselho aos ingressantes na área da Matemática, o professor Daniel Cordeiro enfatiza a persistência, a dedicação e a necessidade de “fazer diferente”. Em um mundo com excesso de informação, destaca que o diferencial está no aprofundamento, na leitura e na capacidade de compreender o que está por trás das fórmulas. “Tem que ter dedicação! Tem que se aprofundar nos estudos. Tem que ir além do currículo básico e fazer diferente. Quem faz diferente, quem tem uma formação diferente, vai ter bastante sucesso”, completou.

Mulheres na Matemática: protagonismo e representatividade

A professora Pammella Queiroz, também docente do curso na instituição, representa uma geração mais recente do departamento, mas com forte atuação acadêmica e institucional. Doutora com período de doutorado-sanduíche e pós-doutorado na França, ela também trilhou uma trajetória marcada por desafios e grandes conquistas.

Idealizadora do Workshop de Mulheres na Matemática — o primeiro da região Nordeste voltado especificamente às questões de gênero na área — Pammella atua na promoção da representatividade feminina nas ciências exatas. O evento é itinerante e envolve parceria com docentes da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), fortalecendo o debate sobre gênero e ciência. Em 2025, criou ainda o evento “Paralelas”, voltado especialmente para alunas de mestrado e doutorado, promovendo um ambiente de acolhimento e protagonismo feminino na pós-graduação.

Para a docente, a universidade também é um espaço de formação humana. Seu trabalho busca mostrar às estudantes que é possível conciliar ciência, maternidade, desafios pessoais e carreira acadêmica. Inspirada por colegas da própria instituição — como o próprio professor Daniel Cordeiro —, hoje ela também se tornou referência para novas gerações de estudantes na universidade.

A professora Pammella mencionou a importância da paciência, da resiliência e do aproveitamento das oportunidades oferecidas pela universidade na trajetória dos estudantes do curso de Matemática. Mais do que concluir o curso, ela incentiva os estudantes a também tornarem-se inspiração para outros. “A gente precisa ser resiliente. E a gente precisa entender que é um processo de construção que a gente não consegue do dia para a noite. É um caminho que a gente vai trilhando com todas as dificuldades e que precisa entender que a gente tem que seguir esse caminho para chegar a um fim que deseja”, encerrou a professora.

Um curso que projeta o futuro

Após quase cinco décadas de história, a Matemática da UFCG demonstra que seu crescimento não se resume a números ou títulos acadêmicos. Trata-se de uma trajetória construída com planejamento, cooperação e compromisso social.

Do suporte às engenharias à formação de mestres e doutores; da pesquisa de ponta à qualificação de professores da educação básica; do fortalecimento institucional ao debate sobre representatividade feminina — o curso reafirma seu papel estratégico, para além de fórmulas e teoremas, com transformação e impacto coletivo dentro e fora da universidade.